Sonhei-te!
Sonhei com pressa, Para aprisionar todos os medos. Sonhei com urgência, Para não se bastar na efervescência A vida que me urge das mãos. Ser poeta não me chega, Se nos sonhos não posso criar, Viver e ser poesia. Repara: só o sonho me adoça a alma. A poesia é apenas o inverso Dos poemas convexos Anexos à minha solidão. Nos sonhos eu seguro a mão daquela que amei, Acordada eu apalpo os espaços vazios, Na esperança de encontrar, Tudo o que idealizei. A vida é dos que sonham, E dos que se permitem sonhar. Não se enganem com as palavras bonitas, De quem as sabe dar. Palavras são tão ocas, como dizê-las num espaço côncavo E quem se apodera delas, A mais não é que um mero louco, Que procura em versos o que sempre soará rouco. Nos meus sonhos, exatamente no limbo entre o sono e a vida Tu és o ar que me mantém viva. Mas na Terra dos homens sábios, Tu deste-me a pólvora que me ateou a morte. Entã...