Conversas com a Depressão - A consciência (5º Conto)
Eu sou plenamente consciente quando penso, e talvez deva passar mais tempo fora de mim, mas dentro do meu corpo. Encontrar o equilíbrio suposto para se viver minimamente feliz. Estar consciente é bom, de nós mesmos e de tudo o que pensamos, criamos, imaginamos, ilusões. Estar na terceira pessoa na história que conto e rir-me à pala de tudo o que consigo imaginar.
Certamente o meu imaginário anda a ver o mundo ao contrário e sempre fora do baralho, por isso a revolta de que não valho nada. É algo que criei para estar em baixo, e agora parece que só existe isso no meu horário. Tenho que me desapegar destes maus hábitos, não me levam a lado nenhum. Porquê é que os faço se a seguir me vou sentir mal por conseguir fazê-lo sem preocupações? E depois ficar mal porque uma vez mais eu sei que são tudo ilusões.
A depressão dá-me dias bons também, ainda que os maus estejam a ficar pior. Sou eu que me entrego cada vez mais à solidão, não me conforta a minha companhia e sim, eu sei que tenho de melhorar esta minha autoestima, mas um passo de cada vez que dois já são demais. Devagar se vai ao longe, não é mesmo o que se costuma dizer? Estes processos são sempre demorados, o bem é que estou a ganhar paciência com os anos a andar para a frente, é um ponto a favor no meio desta doença. Às vezes temos mesmo que parar para nos analisarmos.
Conheço-me em tudo o que escrevo, e antes de o escrever desconhecia-me. Por isso escrevo. Viva à poesia da vida. A vida à minha volta só desliza, a chuva cai lentamente na preguiça do dia, os pássaros vão cantando por entre as árvores, mas já nem se ouvem assim tanto, criam uma outra atmosfera que até tem o seu encanto. Pareço estar por dentro destas minhas meditações, sentada sobre a pedra onde selamos o nosso amor, atenta ao que acontece ao nosso redor.
Campos verdes crescem, a água corre sempre pelo rio abaixo calmamente, e eu penso: de onde vem esta semente? De dentro de mim, certamente!
Estou a ouvir os meus pensamentos ao longe, hoje as minhas emoções não comandam a minha vida. Estou a deixar de lado qualquer tipo de garantia. O amanhã não existe mais. É uma ilusão! Um dia após outro, sempre na mesma estagnação, é icónico não é? Ver a vida por uma aresta, não encontrar a reta que me leva a ti. Perder-me nela dias a fim. Mas hoje estou tão presente em mim, que me esqueci de te viver a ti vida. Desculpa. Siga.
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