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UNI O VERSO

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Respirava fundo, no estômago um nó profundo que fazia suar. Penso na maresia, no mar, mas nada passa a vontade de vomitar. Alguma vez pensaste que podias morrer só de deixar de respirar? A minha pulsação vai a mil, sinto que vou eclodir contra a terra e deixar marcas irreversíveis da minha passagem, ser uma paisagem reconfortante, mas destruída. Há tanto que só se deseja, a inveja move multidões, todos somos reis leões, nessas selvas imaginárias. Preciso de repousar, mas parar é uma inquietação, dói-me a alma, a calma, tudo um pouco, e nada me acalma. Passo na sala para tentar adormecer, vou até ao quarto para mudar o ar que pesa, mas nada me resta. Nada presta, é tudo uma mescla de sentimentos e emoções que não cabe em mim, explodem, tipo as estrelas, e viram pó a divagar pelo espaço. Talvez um dia para elas se ache um quadrado, onde elas possam viver, sob um manto sem um fardo pesado, que brilha e propaga a sua luz, pelos anos, pelos ramos do universo. E eu...

Em ti em estou bem!

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Eu vejo-me e invejo-me, tento correr para dentro, está frio e por todo o lado um rasto congelado, que derrete como um gelado na mão de uma criança. Há esperança que tudo não passe de uma lembrança. Ainda que a dança seja como uma trança desfeita no teu cabelo, preso nas minhas mãos. Há algo que me encanta, quase que cantas para mim, quase que te cansas de sorrir, mas nunca páras. E eu nunca me canso.  Levanto-me para abrir a cortina para a rotina e logo disperso, penso que talvez seja falta do que penso, então alimento-me, para não te ver partir, pelo menos enquanto estiver aqui, disposta a ser tudo mesmo que nunca chegue a ser nada.  Sabes, que seja o que o fardo quiser, deixei de lutar contra a maré, de me levar pelo café na madrugada, eu que nem gostava. Agora faço o oposto, talvez seja o suposto, desafiar as regras, não quebrá-las, pôr-me à prova de balas e ficar contigo. Eu também não sei se o certo algum dia o será, então larguei o café e virei para o chá, agora a...

A Neblina Envolveu-me!

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- Se gosto da noite?  - Eu odeio o silêncio mesquinho de um vazio que fala, balançando perto ou longe, numa dança com o vento que nem de perto me encanta. Talvez porque sinto que a dança já não é a mesma, porque preferia ter certeza, mas não a ter deixa-me ilesa neste campo de batalha, e no fundo, é o que me vale. Talvez fosse isso que faltasse, um embate contra a vida, como se fosse um último remate, no findar de um jogo de futebol. 

Não é um sonho!

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Queria ser mais do que o suficiente,  Queria poder estar, e não só presente. Eu sempre quis tentar,  E teu sentimento ausente. Não me ligo,  Tu não ligas. Jogamos em ligas diferentes.  Mas hoje trás a liga,  Para tapar a ferida.  Ainda que o sangue venha de dentro.  Eu estou fora dessa bolha,  Nessa bola eu já não toco,  Na viola eu já só oiço  Uma corda por soar.  Porque o ambiente ficou morto. Enquanto me balanço, No baloiço.  À espera de ver a vida passar.  Lamento que ainda que torto,  De nada te valeu o aborto,  Que fizeste à pouco, À pressa, Enquanto eu nascia dentro de ti.  Eu em ti floria,  Mas não o voltaria a fazer. Não vou dizer que foi fácil,  Se desde o início,  Eu só tinha medo de te perder. Pega no lápis e escreve tu,  A caneta dá-se em folhas,  Não reparas,  Mas isso nunca foi só um so...