UNI O VERSO


Respirava fundo, no estômago um nó profundo que fazia suar. Penso na maresia, no
mar, mas nada passa a vontade de vomitar. Alguma vez pensaste que podias morrer só de
deixar de respirar? A minha pulsação vai a mil, sinto que vou eclodir contra a terra e deixar
marcas irreversíveis da minha passagem, ser uma paisagem reconfortante, mas destruída. Há tanto que só se deseja, a inveja move multidões, todos somos reis leões, nessas selvas imaginárias.
Preciso de repousar, mas parar é uma inquietação, dói-me a alma, a calma, tudo um pouco,
e nada me acalma. Passo na sala para tentar adormecer, vou até ao quarto para mudar o ar
que pesa, mas nada me resta. Nada presta, é tudo uma mescla de sentimentos e emoções
que não cabe em mim, explodem, tipo as estrelas, e viram pó a divagar pelo espaço. Talvez
um dia para elas se ache um quadrado, onde elas possam viver, sob um manto sem um fardo pesado, que brilha e propaga a sua luz, pelos anos, pelos ramos do universo. E eu só peço para sobreviver, pelo menos desta vez, pelo menos enquanto tu estás aqui e o vês.

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