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A viagem (Conversas Com a Depressão: 3º Conto)

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  O que é a vida senão uma sequência de tentativas? O que é a vida senão uma mesa num parque vazio, o sol brilha, e a mente flui. Eu já nem sei que fui mas, talvez uma mentira daquelas que se conta para impressionar os pais. Mas mentir é feio, seja para que propósito for. Só nos mete dentro de jaulas. Pior que um dia cheio de aulas, ou um dia daquelas que nem sais da cama.      Mas o que é a vida senão uma mentira repetitiva? É sempre a última vez que bebo café antes de ir dormir, é a última vez que que acordo para o trabalho tarde, é a última vez que deixo a depressão vencer... E nunca é. Há sempre espaço para as batalhas que se avizinham, há sempre tempo para parar por um segundo. Mas nem sempre queremos, porque nos perdemos em detalhes pequenos de mais para falar. Sonhar grande é tão fácil, mas não depende de consistência, mas se é tudo fluído, não há fluxo, logo estás presa. Isso não é assunto que se traga para uma mesa. E talvez seja por isso que a mesa está vaz...

A Semente (Conversas com a Depressão)

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     Tu colhes o que semeias. Se semeares negatividade, todo o teu  jardim será inundado de flores daninhas, e vão-se apoderar de todo o teu ser. É como uma luz que se alimenta de ti para lhe dares energia. Palavras como "não consigo" ou "tenho medo" afastam-me de alcançar o que quero. Devo portanto reprogramar a minha mente para algo melhor. Esse é o desafio.      Um dia de cada vez e cada vez melhor. À minha volta só há amor e carinho. Tenho tudo o que preciso para ser feliz! Agora só depende de mim. Será que realmente quero? A verdade é que a sobriedade me assusta, mas isso é mais outro pensamento negativo. O lema é: um dia de cada vez. Amanhã já bebo o chã, tem de ser 2L para me encharcar bem a alma. Mas ao menos que isso me traga calma ou conforto, um dos dois já me chega. Qualquer coisa melhor que um desgosto ou algo que não era suposto.       Por vezes sou só confusão e ok, até gosto do posto. Daqui vejo tudo claro, um jardim...

UNI O VERSO

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Respirava fundo, no estômago um nó profundo que fazia suar. Penso na maresia, no mar, mas nada passa a vontade de vomitar. Alguma vez pensaste que podias morrer só de deixar de respirar? A minha pulsação vai a mil, sinto que vou eclodir contra a terra e deixar marcas irreversíveis da minha passagem, ser uma paisagem reconfortante, mas destruída. Há tanto que só se deseja, a inveja move multidões, todos somos reis leões, nessas selvas imaginárias. Preciso de repousar, mas parar é uma inquietação, dói-me a alma, a calma, tudo um pouco, e nada me acalma. Passo na sala para tentar adormecer, vou até ao quarto para mudar o ar que pesa, mas nada me resta. Nada presta, é tudo uma mescla de sentimentos e emoções que não cabe em mim, explodem, tipo as estrelas, e viram pó a divagar pelo espaço. Talvez um dia para elas se ache um quadrado, onde elas possam viver, sob um manto sem um fardo pesado, que brilha e propaga a sua luz, pelos anos, pelos ramos do universo. E eu...

Leva-me contigo!

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Talvez perca o juízo, te queira dar o paraíso e voar contigo. Até lá vou só caminhar contigo, levar-te para lanchar e dar-te carinho, ir devagarinho para eternizar ao segundo, para eternizar tudo. A querer decorar-te na mente, para que fiques sempre, ainda que seja uma memória que venha quando Dezembro chega. Mas chega! Eu vou-me embora, embora saiba que nunca há uma hora certa para voltar, amar é a alma em alvorada e eu esfomeada, com sede de ti. Porém eu não me vi. Não te vi. Senti que emergi para lá do real. Agora aprendi, aprendi e sorri porque não vale a pena chorar. Ferida que abre sara, será que serei diferente? É que eu acho-me mas perco-me, ainda que seja transparente não vejo o meu reflexo. O sol poente faz-me atravessar a ponte, ser a fonte que nesse horizonte te mata a sede, de caminhar pelo medo. Credo, se pudesse dava-te um brinquedo, para compensar o azedo dessa vida em segredo. Excedo a linha, então retrocedo, porque é demasiado cedo para te perder....

Em ti em estou bem!

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Eu vejo-me e invejo-me, tento correr para dentro, está frio e por todo o lado um rasto congelado, que derrete como um gelado na mão de uma criança. Há esperança que tudo não passe de uma lembrança. Ainda que a dança seja como uma trança desfeita no teu cabelo, preso nas minhas mãos. Há algo que me encanta, quase que cantas para mim, quase que te cansas de sorrir, mas nunca páras. E eu nunca me canso.  Levanto-me para abrir a cortina para a rotina e logo disperso, penso que talvez seja falta do que penso, então alimento-me, para não te ver partir, pelo menos enquanto estiver aqui, disposta a ser tudo mesmo que nunca chegue a ser nada.  Sabes, que seja o que o fardo quiser, deixei de lutar contra a maré, de me levar pelo café na madrugada, eu que nem gostava. Agora faço o oposto, talvez seja o suposto, desafiar as regras, não quebrá-las, pôr-me à prova de balas e ficar contigo. Eu também não sei se o certo algum dia o será, então larguei o café e virei para o chá, agora a...

Ainda és a visão

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- Se não fosse assim, como seria? Ria quando me vinha à mente a ideia de seres um ser transcendente que não conseguia senão, ser transparente. Contigo sentia frio quando tentava ser rio, mas era ria que do mar nascia para ali repousar.. um fundo pouco profundo que nos braços das ondas encontra um lar. Não inquietava, não mudava. Parada via a praia, mas ao longe. Era como se fosse um hoje já quase tarde, e quase que me falta o ar quando o tento alcançar. Equivalho o que sinto a um labirinto e minto se disser que não gosto de me perder.  Ser é tão fácil que nunca me passou pela cabeça não ter certeza do que sinto. Mas o cinto soltou-se no momento de embate, quando ao achar-te já eu não sabia de ti. Eu digo que te vi, vi e vi! Juro que vi, ali, parada! E sim, depois adormeci e até então não me lembro de acordar.  - Sonhar não é mais que a ilusão da realidade numa prisão.