Leva-me contigo!
Talvez perca o juízo, te queira dar o paraíso e voar contigo. Até lá vou só caminhar contigo, levar-te para lanchar e dar-te carinho, ir devagarinho para eternizar ao segundo, para eternizar tudo. A querer decorar-te na mente, para que fiques sempre, ainda que seja uma memória que venha quando Dezembro chega. Mas chega! Eu vou-me embora, embora saiba que nunca há uma hora certa para voltar, amar é a alma em alvorada e eu esfomeada, com sede de ti. Porém eu não me vi. Não te vi. Senti que emergi para lá do real.
Agora aprendi, aprendi e sorri porque não vale a pena chorar. Ferida que abre sara, será que serei diferente? É que eu acho-me mas perco-me, ainda que seja transparente não vejo o meu reflexo. O sol poente faz-me atravessar a ponte, ser a fonte que nesse horizonte te mata a sede, de caminhar pelo medo. Credo, se pudesse dava-te um brinquedo, para compensar o azedo dessa vida em segredo. Excedo a linha, então retrocedo, porque é demasiado cedo para te perder.
Sinto a alma a arder, como se as chamas me estivessem a morder, então posso depreender que este amor vai transparecer, e no que depender de mim, eu vou conceder um castelo para poderes viver. Para podermos viver.
Há um ser dentro de mim, que é transcendente em ti. Ainda assim vais dizer que não digo o suficiente, sou paciente e inerente à inércia, então deixo-me levar nessa conversa. Talvez não seja suficiente para fazer do mundo um lugar pouco ausente, onde só passo para beijar o compasso e achar que sou crente. Para beijar-te e afogar-me no teu presente, bem dentro de ti, vem para o pé de mim.
Eu creio que me entendes quando falo, mas eu nunca falo, doutras vezes pouco me calo, apanho o embalo e conto uma história qualquer para que possa ter traços de mulher e não ser apenas um fantasma. Ás vezes, quando se me ataca a asma, penso que talvez um dia morra ao tentar salvar-te e isso acalma-me. Odeio que certos destinos se baralhem só porque o meu coração sensível decide bater à velocidade com que um míssil atinge a superfície, propagando-se pela imensidão, mas há quem muito tente e simplesmente seja ilusão. Para mim está bom assim.

Comentários
Enviar um comentário