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Conversas com a depressão (1º - A rapidinha)

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          Estou a pensar escrever o inverso de tudo o que penso, parece que nunca estou perto desse deserto que se avizinha, mas ás vezes só quero estar sozinha. Enquanto escrevo, percorro caminhos que não conheço, estranho-me e nem traga adereços. Já nem sei do que padeço, estou perdida em mim desde o começo da estrada, não sei onde vou parar ou se é que arranjo forças para tentar. Não sei qual o meu destino. Isso assusta-me, mas não devia assustar. O futuro não importa (tenho que me mentalizar disto), deixar correr a corrente, ver onde ela me poderá levar, o presente só se vive consciente, agora, neste exato momento em que a minha alma aflora.        Escrever deixa-me exposta, ver-nos em páginas custa mais do que em espelhos, porque sabes que todo o teu passado foi cinzento. Agora não adianta tentar colori-lo, ele já só me cansa, mas sou eu que o estou a construir. Talvez tenha que largar de vez. Outra vez e outra vez. Até que um dia, ...

O sonho

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Eu tentei compreender-te Apreende que eu tentei.  E mesmo sem te ver, eu sei: entender-te, decorar-te. Arte é muito mais,  Mostra-te - composições. Elevar-te, para Marte,  Para amar-te.  E levar-te,  Ao auge do que componho.  Se isto tudo não passasse de um sonho. 

UNI O VERSO

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Respirava fundo, no estômago um nó profundo que fazia suar. Penso na maresia, no mar, mas nada passa a vontade de vomitar. Alguma vez pensaste que podias morrer só de deixar de respirar? A minha pulsação vai a mil, sinto que vou eclodir contra a terra e deixar marcas irreversíveis da minha passagem, ser uma paisagem reconfortante, mas destruída. Há tanto que só se deseja, a inveja move multidões, todos somos reis leões, nessas selvas imaginárias. Preciso de repousar, mas parar é uma inquietação, dói-me a alma, a calma, tudo um pouco, e nada me acalma. Passo na sala para tentar adormecer, vou até ao quarto para mudar o ar que pesa, mas nada me resta. Nada presta, é tudo uma mescla de sentimentos e emoções que não cabe em mim, explodem, tipo as estrelas, e viram pó a divagar pelo espaço. Talvez um dia para elas se ache um quadrado, onde elas possam viver, sob um manto sem um fardo pesado, que brilha e propaga a sua luz, pelos anos, pelos ramos do universo. E eu...

Leva-me contigo!

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Talvez perca o juízo, te queira dar o paraíso e voar contigo. Até lá vou só caminhar contigo, levar-te para lanchar e dar-te carinho, ir devagarinho para eternizar ao segundo, para eternizar tudo. A querer decorar-te na mente, para que fiques sempre, ainda que seja uma memória que venha quando Dezembro chega. Mas chega! Eu vou-me embora, embora saiba que nunca há uma hora certa para voltar, amar é a alma em alvorada e eu esfomeada, com sede de ti. Porém eu não me vi. Não te vi. Senti que emergi para lá do real. Agora aprendi, aprendi e sorri porque não vale a pena chorar. Ferida que abre sara, será que serei diferente? É que eu acho-me mas perco-me, ainda que seja transparente não vejo o meu reflexo. O sol poente faz-me atravessar a ponte, ser a fonte que nesse horizonte te mata a sede, de caminhar pelo medo. Credo, se pudesse dava-te um brinquedo, para compensar o azedo dessa vida em segredo. Excedo a linha, então retrocedo, porque é demasiado cedo para te perder....

A Neblina Envolveu-me!

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- Se gosto da noite?  - Eu odeio o silêncio mesquinho de um vazio que fala, balançando perto ou longe, numa dança com o vento que nem de perto me encanta. Talvez porque sinto que a dança já não é a mesma, porque preferia ter certeza, mas não a ter deixa-me ilesa neste campo de batalha, e no fundo, é o que me vale. Talvez fosse isso que faltasse, um embate contra a vida, como se fosse um último remate, no findar de um jogo de futebol.