A viagem (Conversas Com a Depressão: 3º Conto)
O que é a vida senão uma sequência de tentativas? O que é a vida senão uma mesa num parque vazio, o sol brilha, e a mente flui. Eu já nem sei que fui mas, talvez uma mentira daquelas que se conta para impressionar os pais. Mas mentir é feio, seja para que propósito for. Só nos mete dentro de jaulas. Pior que um dia cheio de aulas, ou um dia daquelas que nem sais da cama.
Mas o que é a vida senão uma mentira repetitiva? É sempre a última vez que bebo café antes de ir dormir, é a última vez que que acordo para o trabalho tarde, é a última vez que deixo a depressão vencer... E nunca é. Há sempre espaço para as batalhas que se avizinham, há sempre tempo para parar por um segundo. Mas nem sempre queremos, porque nos perdemos em detalhes pequenos de mais para falar. Sonhar grande é tão fácil, mas não depende de consistência, mas se é tudo fluído, não há fluxo, logo estás presa. Isso não é assunto que se traga para uma mesa. E talvez seja por isso que a mesa está vazia vou jantar qualquer coisa rápida e mergulhar na agonia. Não consigo ver nada, cabeça pesada de mais para ouvir, uma hipnose a fundo, para me deixar fora do quarto. Mas estou segura, vou só deixar-me.
Dias melhores sucedem-se, hoje já são mais do que ontem, agora as batalhas superam-se, não existe nenhum super-homem. Sou eu e a sina a bailar pela vida, assassina da mente, a botar cá para fora o que a vida me mente. Apatia para ser diferente, quando me vejo de frente para o espelho e não reconheço aquilo que vejo, Será que me pertenço ou tudo não passa de uma ilusão?

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