Conversas com a Depressão (4º Conto - A Conexão)
A nossa mente aprisiona-nos. É dentro dela que criamos a irrealidade do viver, e não vivemos, mas pensamos fazê-lo. A mente é uma prisão em que cada um vive enjaulado. Sou eu que creio que a tristeza profunda, a dor insuportável, as lágrimas infindáveis. A mente é o meu inimigo número um, pelo menos de momento. Tenho de aprender a ser livre dos meus pensamentos, pois são eles que me destroem e deitam para baixo.
Eu tenho uma força desmedida para aguentar com tudo o que até agora aguentei, sozinha e sem ninguém. Porque são os temas que quando abordados perturbam. Então calei em mim todas as ideias mais malucas, todos os momentos de loucura em cima da ponte. De todas as vezes que o pensei, eu morri mais um bocado e vou morrendo aos poucos, está comprovado clinicamente.
Eu sei que o mundo é dos loucos, só esses conseguem aproveitar a mente no seu ponto de virtude, aqueles instantes em que não pensamos em nada e ainda assim sentimos tudo, como por magia. Mas não é mágico, só pouco prático. É preferível vivermos para sempre nas mentiras que nos contam em contos de fadas, somente elas é o mundo em que vivemos e isso assusta-me. O desconhecido, principalmente, admito.
Mas preciso de conectar-me com o meu ser e não viver só porque sim. Preciso de encontrar as forças em mim, preciso de unir-me à terra da espiritualidade, e lutar para sair deste poço, tão fundo que para mim, é só mais um desgosto. Quero que volte a ser Agosto, e que o sol me bata na cara sem esforço, e que tudo seja um mar de esquecimento, onde me afundo para não pensar eternamente.
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