O Caminho (6º Conto do livro "Conversas Com A Depressão")

 




    Dias produtivos são dias construtivos, Continuar em frente continua a ser o maior desafio, sinto o frio da madrugada por mim adentro, ainda sinto o vento da manhã gélida de inverno. O sol não faz derreter o gelo, nem faz surgir a força, muito menos a vontade. Por agora é só cinza no cinzeiro que nunca foi limpo nem utilizado, com água límpida ou de outros lagos. Por eu sempre nado por outros lados. Estou farta dos encargos, vida de adulta é só cargos e fardos. Que raio de lógica. 

    Ainda não sei qual é o o meu fado, por agora só me safo, só divago na minha vida, mas queria gostar do que faço, não só ser mais um encargo para a cabeça tudo o que trago, porque eu sei o que o futuro está na frente, não importa agora, mas ele é uma incerteza o que me aumenta a certeza que é ansiedade certa até que chegue a hora de agarrá-la ou tê-la na mão. Até lá vou ser perfecionista que enjoa só de pensar. Porque nunca nada está certo ou da forma que devia estar. Porque tenho a crença que nado do que faço está bem. Sou um encargo. Brincadeira, eu também trabalho por mim abaixo. 

    Mas vale a pena correr pelo que não gostamos? Deixar danos irreversíveis que com os anos nos destroem, ficam ali e moem, moem, moem-nos a cabeça. Damos por nós sem certeza que as pagamos, mas só as guardamos para mais tarde lembramos e sentirmos culpa, seremos sempre escravos do dinheiro, porque é algo pela qual nos importamos, então fechamo-nos. Daí estar presa ao amor e dar-me ao luxo de sentir-lhe o sabor, até o mais amargo, eu já sei de cor, até o cheiro tem outro sabor. Que em mim dura e é duro, mas talvez seja por isso que saiba melhor no fundo. Ter algo a que me agarrar é sempre mais seguro. Dá-me a mão e ajuda-me a superar este muro, ou a deitá-lo a baixo. Estou farta de vê-lo, eu só quero crescer e ver o verde da natureza, tudo o resto é sujeira e inunda-me. Devo manter-me ilesa dessa tristeza que é a cidade. Só me incomoda a comodidade de toda a gente se amontoar em metros e jardins, estamos todos felizes no fim. Mentira. 

    Mas ok, por agora vou acreditar-me em mentiras. Pensar que todos são felizes e que não andam à deriva. Espero que todos se encontrem. Estou no caminho para isso por isso me encontram aqui. A ser sincera e a abrir-me. A mostrar um lado frágil porque sou ágil a lidar com isso. Não me atormenta mais pensarem que sou maluca só porque os meus lados não se fundem. Mas estou bem assim, por agora ainda há quem goste de mim, e isso chega-me. 

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